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Parklets e a apropriação do espaço público

Parklet como apropriação do espaço público

É muito comum encontrar planejamentos urbanos que privilegiem automóveis em detrimento dos pedestres que circulam por ali. Da mesma forma, onde haveriam diversos estabelecimentos comerciais nas calçadas, são construídos shopping centers para tornar tudo uma coisa só. A lógica disso é ocupar lugares vazios com projetos que visem o lucro.

Muitas vezes, as pessoas que habitam esses cenários não são vistas como prioridade. Para mudar essa realidade – que atinge, principalmente, as grandes cidades -, surgem movimentos para a apropriação do espaço público pelos moradores.

Esse tipo de ocupação não seria por vias inapropriadas, mas por meio de ideias criativas que aproveitem a infraestrutura da cidade para benefício da população, já que nem sempre o planejamento urbano leva em consideração suas necessidades e vontades. Assim, o espaço seria adaptado ao bem-estar do ser humano e não o contrário.

Parklet instalado em São Paulo.

O primeiro parklet brasileiro foi instalado em 2013 em São Paulo. Foto: Nico Nemer/Folhapress

Parklets como espaço de convivência

Um exemplo dessas mudanças na forma de se pensar a cidade são os parklets, plataformas instaladas temporariamente no lugar de vagas de estacionamento. O objetivo é oferecer à população mais espaços para convivência, descanso e lazer.

Essas estruturas costumam ocupar uma área que poderia ser usada por um ou dois carros e podem incluir bancos, mesas, flores e plantas, lixeiras, entre outros elementos. Duas vagas de estacionamento atendem, em média, 40 pessoas por dia, enquanto um parklet pode receber cerca de 300 pessoas no mesmo período. É uma contribuição sustentável aos espaços públicos, pois a montagem é rápida, simples e limpa.

As mini praças funcionam como uma extensão da calçada, ou seja, qualquer pedestre pode desfrutar da estrutura. É, também, um bom negócio para empresários: se há, ali, um estabelecimento comercial, seus clientes e funcionários têm mais uma opção de espaço para ocupar, tendo mais comodidade, descontração e interação social. Para os clientes de um restaurante, por exemplo, seria um alívio esperar por um lugar no parklet, em vez de ficar em pé em uma fila.

Quem deseja instalar um parklet precisa de aprovação da prefeitura. Basta fazer uma solicitação com um projeto técnico que respeite as regras de instalação e acessibilidade exigidos – cada cidade tem uma legislação própria para esse processo. Também é necessário um Registro de Responsabilidade Técnica assinado e emitido pelo CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) ou pelo CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia).

Parklet na Noruega.

Parklet da Noruega visto de cima. Imagem: Wells Campbell.

Fontes:
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812007000200013
https://wikihaus.com.br/blog/ressignificando-o-espaco-publico/
http://www.coletivoverde.com.br/o-que-e-parklet-saiba-tudo-sobre-os-parklets/
http://soulurbanismo.com.br/o-que-e-parklet-2/